Fundo Jobs 2
01/06/2015

Me “acho”, ou me forçam?

Numa sala de aula em pleno sábado ensolarado ao meio-dia, alunos sentados em carteiras posicionadas em formato de “U” estão em uma aula de preparação para a prova de certificação FCE de inglês.

Todos os alunos conversam fluentemente, e eu observo cada um deles atentamente, cada um com trejeitos distintos e risadas largas e felizes por estarem em pleno meio-dia (de um sábado) numa sala de aula. Eles, sem exceção alguma, estão preocupados com o futuro e também com os rendimentos futuros e também com a importância da certificação para o futuro profissional.

Se estes dois parágrafos te deram a impressão que todos dentro da sala de aula são empresários ou gestores, talvez você esteja certo se estivesse falando deles a daqui 15 ou 20 anos, pois todos eles com a minha exceção e a da professora tinham no máximo 15 anos, eu prestes a fazer 29 anos não me imaginava estar numa sala com tantos alunos juvenis possuindo tanta preocupação e vontade de querer ganhar dinheiro e/ou serem pessoas de sucesso.

Estamos amadurecendo muito cedo? Ou estamos forçando muito mais nossos filhos? Estamos criando bem nossos filhos? Ou eles estão muito protegidos?

Nossas crianças estão crescendo com a educação que nós não tivemos, ou seja, enquanto nossos pais tiveram somente capacidade de fazer o Colegial (Ensino Médio) ou até mesmo uma faculdade, nós já pensamos que uma pós-graduação e inglês fluente é pouco. Essas crianças já vão vir com inglês, espanhol, francês e alemão fluentes e pensando que um pós-doutorado é uma questão de tempo. Isso é uma evolução normal de cada civilização, pois a educação vai evoluindo forçando cada vez mais seus indivíduos serem mais letrados.

Porém, o que vejo de problema é a forma como os pais forcam seus filhos a lidarem com isso, pois concordo que todos devem estudar muito, mas não acho certo crianças de 14, 15 anos ficarem trancafiadas numa sala de aula por 8 horas para tirarem uma certificação em pleno sábado, ou terem o peso de escolherem uma profissão, seja por dinheiro ou por afinidade. Este tipo de pressão de escolha antecipa coisas que para as crianças não deveriam acontecer nesta época da vida como: responsabilidade e peso de futuro. Ainda acho que 17, 18 anos para escolher uma profissão é uma idade imatura, pois muitos trocam de faculdades durante o 1° e 2° semestre de curso, por não gostarem, onde a idade certa para se ingressar na faculdade seria aos 20 anos, deixando 2 anos para a mulecada se conhecer e se possível viajar pelo mundo, como fazem os israelenses.

Um exemplo disso e de como é importante saber o que se quer da vida e como escolher corretamente no tempo certo é a primeira história que o Steve Jobs conta em uma palestra à Universidade de Stanford.

Sou partidário que crianças pensem menos no futuro e entendam mais dele, não estou querendo aliviar as escolhas, mas creio que uma criança depois de terminar o ensino fundamental tem o direito de sonhar. Quero que eles vivam sem pressão exagerada de serem adultos, quero que trabalhem desde os 16 para entenderem o que é dinheiro, mas que gastem com skates, bolas de futebol e saídas no shopping. Não se deve antecipar fazendo as crianças amadurecerem antes do tempo!

Mas esses pais que forçam tanto essas crianças para o futuro, se esquecem de prepara-los para à vida. Esses pais não deixam seus filhos pegarem transporte público, não deixam eles brincarem na rua, acham tudo perigoso os envolvendo em papel  bolha não deixando que nada aconteça com eles, ou que contrariem suas vontades dando de tudo de bom e do melhor sem dar um pouco de “não”.

Sim, os mesmos pais que dão a melhor educação e que forçam os filhos a serem os melhores, são os mesmos que mimam e super protegem não deixando as crianças entenderem que no mundo real as coisas quase nunca saem do jeito que elas querem, forçando os (algumas vezes) tarde demais a caírem na real.

No seguinte texto (espetacular) da revista época sobre a “Turma do eu me acho” http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/07/turma-do-eu-me-acho.html

Retirei a seguinte parte que exemplifica o que escrevi acima:

Com uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com as críticas e aprender com seus erros, muito jovens narcisistas não conseguem se acertar em nenhuma carreira. Outros vão parar na terapia. Esses jovens acham que podem muito. Quando chegam à vida adulta, descobrem que simplesmente não dão conta da própria vida. Ou sentem uma insatisfação constante por achar que não há mais nada a conquistar. Eles são estatisticamente mais propensos a desenvolver pânico e depressão. Também são menos produtivos socialmente.

Em terapia desde os 15 anos, Priscila Pazzetto tem hoje 25 e não hesita em dizer que foi e ainda é mimada. “Uma vez pedi para minha mãe me pôr de castigo, porque não sabia como era”, afirma. Os pais se referem a ela como “nossa taça de champanhe”, a caçula de três irmãos que veio brindar a felicidade da família num momento em que seu pai lutava contra um câncer. “Nasci no Ano-Novo. Quando assistia às chuvas de fogos na TV, meus pais diziam que aquilo tudo era para mim, para comemorar meu aniversário”, diz Priscila.

Afinal a geração atual de pais está dando muitas coisas que antes nós não tivemos, mas ao mesmo tempo está exagerando nas cobranças e também na super proteção, onde na verdade a ponderação sempre é a melhor solução, visto que  deve-se dar a melhor educação sempre que possível sem perder a infância e juventude, mas também deve dar insumos a eles entenderem a vida como ela realmente é, dando a real percepção de que não serão os donos do mundo!

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